sábado, 19 de agosto de 2017

dia mundial da Fotografia - Elliott Erwitt


Elliott Erwitt, deve ser dos fotógrafos de rua mais fascinantes e inteligentes que conheço.
É divertido, sério, é sarcástico, perspicaz e acima de tudo um oportunista, no sentido de saber aproveitar e reconhecer a oportunidade quando esta surge à sua frente, brilhante.
Foi um dos primeiros fotógrafos a integrar a agência Magnum e um dos seus presidentes.

Despreocupado relativamente aos temas que pretendia fotografar, não se deixa prender por temas previamente definidos, nas palavras dele "apenas reajo ao que vejo", fica com a criatividade e imaginação desenfreadamente à solta. E é precisamente isto que o seu trabalho demonstra.


Descobri Elliott, nascido francês mas naturalizado norte-americano em 2013, numa das minhas viagens mais marcantes que fiz até ao momento: o transiberiano na rota transmongol.

Na entrada do hotel onde estava hospedado em Moscovo, havia um livro dele que se intitulava Paris.
Ao longo dos dias que estive em Moscovo, folheei quase diariamente este livro e facilmente, muito facilmente, deixei-me seduzir por este fotógrafo.

Paris, New York e Dogs, são talvez os seus melhores livros.
Até neste aspecto, Elliott quebra convenções. Quando elabora um livro - afirma que a existência de um fotógrafo passa pela existência em papel - procura nos seus arquivos, fotografias que possam ser alinhadas e dar origem a um tema coerente, espalha-as no chão e faz a selecção passeando por elas e tentando perceber quais as melhores que servem esse propósito.

A fotografia que encerra a série dele neste post, é a minha preferida da sua obra. É a capa do livro Paris. Consta que é uma fotografia minuciosamente encenada - o homem que salta no ar, será um bailarino contratado, veja-se a amplitude da abertura das suas pernas - para prestar homenagem, ao que Cartier-Bresson chamava o "momento decisivo". Aquele momento em que tudo se conjuga para a fotografia se tornar genial e perfeita.
Seja ou não encenada, a fotografia é brilhante e revela a intuição e a imaginação de Elliott para a fotografia.

Se há fotógrafos fora da caixa, e com uma profunda empatia com os cães, Elliott Erwitt, actualmente com 89 anos, é o maior deles.




















uma música para o fim de semana (na Silly Season) - Eduardo Mourato


Isto hoje é um dois em um.
Temos pimba açoriano em... português dos Açores e em... inglês dos Açores.

Parece que o Eduardo Mourato é comediante e cantor.
Mas ao ouvir o Mar dos Açores, parece ser um esforço genuíno e sincero por parte do cantor sobre o comediante, se bem que o último ganhe largamente sobre o primeiro.

Mas não contente com o seu sucesso, tem bem mais de um milhão e duzentos mil visualizações, Eduardo resolve internacionalizar-se e traduz a letra para inglês, já não com tanto sucesso.
Um completo falhanço do serviço público.

A imagem que aqui aparece do Eduardo, com um delicioso chapéu de palha, é a versão inglês dos Açores.

Bom fim de semana 😭




O Mar dos Açores

Quando era menino
Eu brincava à beira-mar
Olhando o céu azul
Ao ver as ondas formar
O rosto molhado
Da água que o mar trazia
Cheirando salgado
Que era uma alegria

E as ondas do mar
E o azul do céu
Ver as ondas formar
Ai tão lindo que é
Ver as ondas rolar
De tão lindas cores
Eu ainda vou voltar
Para visitar
O mar dos açores

Quando o mar escutava
E assim adormecia
E de noite acordava
Quando o mar na rocha batia
Assim fui crescendo
Na minha casa à beira-mar
Não reconhecendo
A beleza do lugar

E as ondas do mar
E o azul do céu
Ver as ondas formar
Ai tão lindo que é
Ver as ondas rolar
De tão lindas cores
Eu ainda vou voltar
Para visitar
O mar dos Açores

Quando imigrei
Pensando não mais voltar
Eu nunca pensei
Que o mar ía estranhar
Eu estou voltando
À terra onde eu nasci
Porque eu vivo chorando
Pelo mar que eu conheci

E as ondas do mar
E o azul do céu
Ver as ondas formar
Ai tão lindo que é
Ver as ondas rolar
De tão lindas cores
Eu ainda vou voltar
Para visitar
O mar dos Açores

E as ondas do mar
E o azul do céu
Ver as ondas formar
Ai tão lindo que é
Ver as ondas rolar
De tão lindas cores
Eu ainda vou voltar

Para visitar
O mar dos Açores


E agora a versão inglesa, Blue Ocean, e a respectiva letra. Pimba em inglês é... hilariante!!
E os passinhos da coreografia??
Tremendo!!

E continuo a pensar que é uma tentativa honesta e de novo sincera do Eduardo Mourato, enquanto cantor, mas aqui o cantor falha estrondosamente e inconscientemente é o comediante, e no seu melhor, que vem declaradamente ao de cima.




Blue Ocean

When I was a young boy growing up in Portugal,
The Ocean was my home and my heart was in the ocean.
The Atlantic Ocean is the greatest of many seas,
And up to this day, I have all the memories.

Watch the waves of the ocean and the skies so blue,
Feel the breeze from the sea - that's what I wish to do.
Keep all the memories closer to my heart,
So I'm going back to live forever by the Ocean side.

When I woke up in my house with an ocean view,
I watched the waves break down and the colours were white and blue.
As I grew up, I never realized
What I had back there is a garden paradise.

Watch the waves of the ocean and the skies so blue,
Feel the breeze from the sea - that's what I wish to do.
Keep all the memories closer to my heart,
So I'm going back to live forever by the Ocean side.

When I left my country in 1972,
I left my house and the Ocean I always knew.
I also left my heart in the middle of the sea,
If my heart is there, that's the place where I should be.

Watch the waves of the ocean and the skies so blue,
Feel the breeze from the sea - that's what I wish to do.
Keep all the memories closer to my heart,
So I'm going back to live forever by the Ocean side.

Watch the waves of the ocean and the skies so blue,
Feel the breeze from the sea - that's what I wish to do.
Keep all the memories closer to my heart,
So I'm going back to live forever by the Ocean side.


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

sessenta anos de "um pouco de melancolia"


Dezassete de Agosto de 1957, era lançado, aquele que é considerado o álbum mais influente e marcante da história do jazz: Kind of Blue.

E ao contrário do que se possa pensar, é o melhor álbum possível para alguém se iniciar no jazz.
É atmosférico, subtil, perfumado, profundamente melódico e possuidor de uma intensa, mas delicada, sofisticação.
O New York Times classificou-o como o "som do céu".
Foi gravado num só dia, praticamente sem ensaios e os músicos só tiveram uma noção do que iam gravar quando Miles Davis lhes entregou uns "rabiscos" sobre o que pretendia da sessão.
Kind of Blue é um espantoso exercício de improvisação bem sucedido.

A formação, um sexteto, é celestial. Todos os músicos per si, marcaram o jazz tornando-o aquilo que é hoje, considerando todas as interpretações e variantes que fizeram sobre ele.

A frente de sopro é mítica: Miles Davis (trompete), John Coltrane (saxofone tenor) e Cannonball Aderley (saxofone alto). O trabalho e a marca que estes três músicos deixaram no jazz, é absolutamente intemporal.
Dois pianistas de excelência: Bill Evans e Wynton Kelly. Bill Evans, é até hoje o pianista que mais moldou e elevou o piano jazz e a sua forma de tocar. Ele é reverenciado entre os próprios pianistas.
Primus inter pares

No contrabaixo, reina Paul Chambers. Ele morreu absurdamente cedo, com trinta e três anos, vítima da tuberculose. Foi um dos pilares do primeiro grande quinteto de Miles Davis.
Como líder, tem poucos álbuns gravados, mas como sideman, poucos contrabaixistas foram mais procurados e desejados que Paul Chambers. O número de álbuns gravados com a sua participação é imenso.

O baterista foi, Jimmy Cobb. Na verdade, ainda é. Jimmy é o único sobrevivente dos músicos que tocaram Kind of Blue.
De todos os músicos, este baterista talvez o único, cuja pegada musical na história do jazz é mais "ligeira". À semelhança de Chambers, o baterista tem um longo historial como sideman.


É sempre tentador ilustrar Kind of Blue com o standard So What. É uma faixa icónica.
Mas vou buscar Blue in Green. Tudo neste tema ilustra Kind of Blue.
A sua elegância, o tempo pausado, o sentimento melancólico, a imensa beleza e serenidade que emana deste álbum. Sem esquecer o fascínio hipnotizante, até universo queda-se perante ele, que o trompete de Miles Davis exerce em nós.

Faz hoje sessenta anos que ele com a produção de Teo Macero, foi lançado para eterno deleite, e sua redenção, da humanidade.